domingo, 26 de julho de 2009

EDUCAÇÃO - Carta de um insone - Aos amigos da Pós-Graduação

Caro Dr. Saliba e diletos Confrades,

Esta noite me dei por insone! Olhei para os ponteiros do relógio que teimavam em não se mexer... eram três e dezoito da manhã! (Isso é só uma metáfora, porque os relógios, hoje, são, em sua maioria, digitais. Portanto, não existem ponteiros. Apertei foi um botão do telefone celular, que clareou o quarto todo! Mas que o tempo parecia ter parado é uma verdade...)

Pus-me a pensar sobre o que vivemos, aprendemos e captamos nos últimos dois deliciosos encontros do Curso de Docência do Ensino Superior.

O Dr. Maurício Saliba, em pouco mais de 14 horas efetivas de magníficas aulas (estou descontando os intervalos para almoços, cafés e as indefectíveis idas ao banheiro...) citou-nos não menos que 50 autores diferentes! Sem nenhum pedantismo, na maior naturalidade, simplicidade e contextualização.

Brindando-nos com duas esplêndidas aulas, o Dr. Saliba me plantou na mente o “bicho” da dúvida! Explico-lhes.

No transcorrer da aula do dia 25, eu e o Confrade Músico Sandro Santos, confabulando no “canto dos notebooks”, perto das tomadas, no fundo da sala, analisávamos a afirmação do mestre de que a culpa pelos risos frouxos causados no “Programa do Jô”, pela leitura de respostas de alunos, às vezes patéticas, a várias questões, dos vários níveis de ensino, era, na sua grande maioria, fruto das perguntas cretinas, digo, mal formuladas, pelos professores.

Concluímos, assim como afirmava o sábio mestre, que os professores (em todos os níveis) estão mal preparados.

Mas voltemos aos 50 ou mais autores citados pelo mestre, e outras questões...

Comentei com o Sandrinho de minha mania de ser cioso com o uso correto da linguagem, portando sempre 2 ou 3 dicionários (eletrônicos e no notebook, é claro! rsrsrs), aos quais recorro sempre, para o emprego do vernáculo (mais risos) Acho que os anos na Academia (são 20 anos na Unesp!) me fizeram absorver um pouco daquilo que por lá circula.

Pois bem! Voltando novamente à dúvida que nasceu em mim, somada aos questionamentos que eu e Sandro fizemos, à minha mania de buscar as palavras certas, e diante da sabedoria do mestre, perguntei-me: Estou pronto para isso? (Sei que, certamente, nunca estaremos totalmente prontos...) Seria eu feito da mesma “madeira” que o mestre? Tenho estofo para tal?

Diante das brilhantes aulas do mestre, a nós, candidatos a docentes que somos (ou já docentes, muitos de nós), creio, restam duas alternativas: a) pensar: “Posso ser tão bom quanto! Vou buscar isso!” ou, b) “Não conseguirei jamais...”.

Isso me fez lembrar um bom papo que tive há alguns anos com uma amiga, a Dra. Rozana Messias. Quando voltei à faculdade para cursar Administração, encontrei a Rozana, amiga de infância e adolescência, carinhosamente chamada pelos amigos de “Preta”, agora Doutora em Letras, que iria ministrar-me aulas de Redação, Comunicação e Expressão. Confessei a ela o meu desejo de tornar-me docente. “Revolucionário” que sempre fui, desejava auxiliar a mudar o mundo pela Educação! Mas também confessei a ela que, aos 38 anos, me achava velho para começar. Ela meu deu um “chacoalha”: Jamais! Não quero ouvir isso de você! Nunca será tarde! E falo isso como professora!”

Isso me marcou. Eu, teimoso que sempre fui, não temei com a amiga "Preta", nem com a Doutora Rozana. E, não sei se pior ou melhor, acreditei nas duas... e cá estou convosco.

São quatro e seis da manhã. Minha insônia não é culpa vossa, por isso vou ficando por aqui. Espero, sinceramente, que todos nós, indistintamente, diante da grandiosidade do mestre, optemos sempre pela primeira alternativa.

Obrigado mestre Saliba, bom domingo a todos os diletos Confrades.

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